Morte de aluno altera planos da USP

De acordo com detalhes do Plano de Segurança da USP, a intenção é ter 160 “agentes de vigilância” nos campi, frente aos 110 guardas universitários atuais

Em reunião extraordinária do Conselho Gestor do campus Butantã, órgão responsável pelas medidas de segurança na Universidade, no dia 20 de maio, foi aprovada por unanimidade a elaboração de um protocolo que garantirá juridicamente uma parceria da Polícia Militar com USP. A elaboração do documento complementa uma série de ações para a garantia de segurança nos campi da USP prevista em Plano de Segurança ainda em fase de desenvolvimento. A criação do Plano foi anunciada após deliberações realizadas em reunião do Conselho Gestor do dia 3 de maio.

O diretor da Escola Politécnica e presidente do Conselho Gestor, José Roberto Cardoso, afirmou que reitor João Grandino Rodas será o responsável por definir o formato da atuação da PM dentro do Campus a partir do protocolo aprovado no dia 20. “O Rodas entende que a segurança tem uma importância tão grande que deve ser responsabilidade da autoridade maior”, disse Adilson Cardoso, chefe da segurança da USP, no início da reunião extraordinária do Conselho. O representante discente do Conselho, Adrian Fuentes, foi o único a fazer uma fala contra a decisão pelo protocolo na ocasião. “Não teve uma discussão ampla sobre como será o protocolo. A decisão foi, na verdade, uma carta branca para o reitor fazer o que quiser”, falou Fuentes. A assessoria de imprensa da reitoria informa que o documento está em fase de elaboração e ainda não é possível adiantar nenhuma das ações previstas.

O Plano

Nos primeiros detalhes do Plano de Segurança da USP aos quais o JC teve acesso, além da melhoria da iluminação na Cidade Universitária, é previsto um controle maior dos carros que têm acesso a ela (sistema parecido com o pedágio).  Essa medida já tem edital pronto para sua efetivação.  Há intenção também de disponibilizar para a segurança mais câmeras com capacidade de registro, softwares inteligentes, um novo sistema de comunicação trunking de rádio digital e a atualização do centro de controle de câmeras especiais nas portarias – duas câmeras nos portões por onde passam veículos, focando o condutor e a placa do carro. Na reunião do dia 20, Sidnei Martini também citou o projeto de um edifício a ser construído ao lado do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) com a finalidade de concentrar uma segurança integrada da USP.

Os detalhes do Plano também mostram a intenção de aumentar os chamados pelos estudos do Centro de Preservação e Controle de agentes de vigilância. Tendo por base o contingente atual da Guarda Universitária nos campi (110 guardas) a intenção seria chegar a 160 homens direcionados à vigilância de toda Universidade.  Aos agentes de segurança seriam atribuídas atividades diferentes das realizadas atualmente pela Guarda, responsável apenas pela proteção do patrimônio físico da Universidade e legalmente proibida de andar armada. “Fiscalizar a movimentação de veículos nos estacionamentos e vias da USP, tomando as providências necessárias para qualquer fato anormal” e “zelar pela segurança individual e coletiva, utilizando equipamentos de proteção apropriados, quando da execução dos serviços” são algumas das possíveis atividades a serem designadas aos ditos agentes. “Necessitamos uma guarda realmente preparada para tratar de uma comunidade diferenciada como a nossa”, falou Adilson Cardoso, chefe da segurança, na reunião extraordinária do Conselho Gestor.

A primeira versão do Plano avalia também concentrar ações de segurança seguindo 90% de atenção para a prevenção de crimes, 5% para a reação a crimes e ondas de violência e 5% de atenção em outros tipos de atividades.  Já apresentada a parte da comunidade USP como uma das ações preventivas, a cartilha “Segurança para a Qualidade de Vida” elaborada pelo Grupo de Estudos Técnicos da Segurança (GETS) traz instruções à comunidade USP. “Ao deixar a Universidade, principalmente à noite, faça-o acompanhado”, diz um dos trechos.  Nas medidas preventivas contra roubos em estacionamentos, as indicações são, por exemplo: “se for surpreendido por pessoas com a intenção de roubá-lo, não reaja” ou “mude o veículo de local durante as aulas, principalmente se for deixá-lo até a noite [no estacionamento da Escola Politécnica, no caso recomendado]”. Além da cartilha, um vídeo institucional de 8 minutos deverá ser criado destacando os objetivos do Plano de Segurança da USP.

Até o fechamento da matéria, o JC não conseguiu informações sobre os gastos orçamentários para a efetivação do Plano de Segurança da USP. Nos detalhes do projeto, não é indicado nenhum dado a respeito.

Ação imediata

“Entendemos que vamos desenvolver um patrulhamento mais intenso na USP”, disse o major Marcel Sofner, porta voz da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ao JC dias após o assassinato do aluno da FEA Felipe Ramos Paiva.  Entretanto, o major afirma que PM nunca deixou de fazer patrulhamento na USP, só o faz com menor intensidade do que há 30 anos. Como ação imediata a policia decidiu intensificar o policiamento com motocicletas na Cidade Universitária a partir da chamada Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio da Motocicleta). As patrulhas também ocorrerão com viaturas, como já vinha acontecendo. No futuro, talvez bicicletas poderão ser adotadas para as ações.

Serviço: Segurança Prevenção na USP

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