Atléticas da USP buscam recursos da Lei de Incentivo ao Esporte

Algumas Atléticas da Universidade de São Paulo, tendo em vista a valorização e fortalecimento  do esporte universitário, começaram a se movimentar para receber recursos através da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE). Através de projetos já cadastrados, à espera de aprovação ou em vias de planejamento, as entidades buscam propiciar maiores investimentos em materiais esportivos, estruturas de treinamento e organização das modalidades em cada unidade.

A LIE, que garante repasses de verbas públicas para associações que se dediquem ao esporte, é vista como uma saída para os gastos das Atléticas, que não conseguem ser supridos pela organização de festas e vendas de produtos (principais fontes de arrecadação da maioria das entidades atualmente). Nesse cenário, além de ter problemas para gerir as estruturas de cada esporte, as entidades acabam por recorrer a contribuições dos próprios integrantes das modalidades, a fim de conseguir mantê-las nos campeonatos universitários.

Na Escola de Comunicações e Artes (ECA), a Associação Atlética Acadêmica (AAA) Lupe Cotrim consegue manter o pagamento de seus treinadores e a compra de materiais esportivos (tais como bolas e uniformes) através do dinheiro arrecadado pela instituição. Porém, a inscrição dos atletas nos campeonatos é custeada pela Taxa Anual Unificada, um valor cobrado de cada estudante que participe de modalidades englobadas pela Atlética.

Filipeh Pessanha, diretor geral de esportes da entidade, explica que a falta de recursos suficientes faz com que os técnicos recebam salários baixos e os atletas contem com poucos materiais esportivos e uniformes ultrapassados, além de limitar as inscrições de cada time nos campeonatos. Com um projeto encaminhado ao Ministério do Esporte (ME) no último dia 10, a expectativa da associação é que essa realidade mude.

“Com o projeto sendo aprovado e captado, teremos uma estrutura muito maior, com técnicos e auxiliares bem remunerados, fisioterapeutas disponíveis, opção de treino em quadras externas para os times, e por aí vai. É trazer o esporte na ECA para um nível altíssimo de qualidade”, diz.

Já na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE), a AAA Rui Barbosa cobra uma mensalidade dos atletas. Esse dinheiro é utilizado para manter todos os gastos de cada modalidade, tais como salários dos treinadores, materiais esportivos, inscrições em campeonatos e taxas de arbitragem. Cabe à entidade arcar com os custos de sua própria inscrição e, eventualmente, cobrir as taxas de alguma modalidade mediante pagamento posterior.

Alexandre Iponema Galluci, diretor geral de esportes da associação, explica que esse quadro desagrada a atual gestão e que ele deve ser revertido em caso de aprovação de um projeto, já elaborado e em vias de ser encaminhado ao ME.

“A própria Atlética será capaz de pagar treinadores e auxiliares, adquirir materiais e uniformes e pagar a inscrição de todas as modalidades nos campeonatos. Com isso, conseguiremos gerir coletivamente a Atlética, já que contaremos com a aproximação de estudantes, atletas e treinadores”, presume Alexandre.

A AAA Visconde de Cairu, da Faculdade de Economia e Administração (FEA), e a AAA XI de Agosto, da Faculdade de Direito, já possuem projetos cadastrados e aprovados pelo ME. A primeira está na fase de captação de recursos, enquanto a segunda espera conseguir uma prorrogação junto ao Ministério para poder iniciá-la. Outras entidades, como a AAA de Farmácia e Bioquímica da USP e a AAA IX de Setembro, da Faculdade de Medicina Veterinária, pretendem estruturar projetos em breve.

As gestões das Atléticas citadas acreditam que a captação de recursos através da LIE fortalecerá a prática do esporte em vários aspectos. A verba não só propiciará o oferecimento de uma estrutura adequada aos atletas em termos de materiais de treinamento e comissões técnicas, como aumentará o nível de qualidade dos campeonatos com equipes mais bem preparadas.

Tudo isso, segundo gestores das entidades, fará com que os estudantes busquem mais a prática esportiva dentro da Universidade, já que os custos serão reduzidos e as estruturas melhor qualificadas para recebê-los. Nesse contexto, a expectativa é de que o esporte universitário ganhe, inclusive, maior visibilidade.

por GABRIELA ROMÃO