Para especialista, cardápio do bandejão é nutritivo

Opções para vegetarianos ainda são limitadas, afirmam alunos

O preço de dois reais atrai alunos, professores e funcionários de todas as unidades da Universidade para o bandejão. Entretanto, quando o assunto é o cardápio servido para os milhares de uspianos de diferentes idades, sexos, biotipos e preferências alimentares, a questão que fica é se o cardápio dos restaurantes universitários atendem a todos.

Para a nutricionista Ana Rita Ferreira a resposta é sim. “De um modo geral, o cardápio é diversificado e colorido e há opções de saladas cruas e legumes cozidos, fornecendo fontes de fibras, vitaminas e minerais”. Isso significa que quem come frequentemente no bandejão tem a possibilidade de ter uma refeição balanceada, independente do tipo físico.

Contudo, Lucas Junqueira, aluno do segundo ano de geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) tem ressalvas. “Acho que [o cardápio] poderia ser mais flexível, explorando uma maior variedade de vegetais e carnes”, e pondera: “ainda mais a parte que diz respeito aos vegetarianos e veganos”.

O estudante Bruno Menegatti concorda: “A diversidade é boa, mas não para vegetarianos. Para eles só PVT (proteína vegetal texturizada). Se desse para variar com grão de bico ou lentilha ficaria muito mais interessante”. O aluno ainda diz que tem desejo de deixar de comer carne, mas lamenta: “O bandejão não permite”. Para essas pessoas, a dica de Ana Rita Ferreira é caprichar nos legumes e hortaliças que, segundo ela, garantem diversidade.

Para os que almoçam e jantam no restaurante universitário e querem comer de forma mais saudável, a nutricionista recomenda a opção de arroz integral ao invés do branco. “Esse tipo [arroz integral] contribui para o aumento de fibras, vitaminas e minerais da alimentação. Auxilia também na diminuição de glicemia, que é a taxa de glicose no sangue, promovendo o aumento da saciedade, facilitando o processo de emagrecimento para obesos e o controle de açúcares para os diabéticos”, afirma. Além disso, uma porção de 100g arroz branco tem 125 calorias, enquanto a mesma quantia do tipo integral tem somente 77.

Outra orientação de Ana Rita Ferreira para quem tem problemas de saúde como obesidade e diabetes é dispensar o mini pão francês: “O pão, mesmo sendo pequeno, tem calorias e é mais um alimento fonte de carboidrato. Por isso ele é dispensável para quem já consumiu outro item que possui a substância, como arroz, macarrão, batata, mandioca, e inhame, por exemplo”. Os doces e refrescos artificiais também devem ser evitados e, se possível, substituídos por frutas e sucos naturais.

No geral, a profissional crê que há uma boa variedade no cardápio e que as opções são saudáveis: “Um ponto bom, por exemplo, é que as carnes são preparadas assadas ou cozidas, evitando o excesso de frituras”.

Os alunos Lucas Junqueira e Bruno Menegatti concordam com com a variedade, mas têm ressalvas. “Acho que poderia haver uma flexibilização quando pedimos um pouco mais de comida. Sei que existem regras, mas alguns funcionários já foram rudes. Não estou generalizando, mas acho que poderiam ser mais tolerantes com as mães ou outras pessoas com crianças, deixando que peguem frutas, leite e pães a mais”, afirma Junqueira.

Entretanto, o garoto faz questão de ressaltar a importância dos restaurantes universitários e agradece: “Se não fossem o Bandejão e o Crusp eu nem estaria aqui. Dessa forma os alunos realmente pobres têm auxílio”.