Aplicativo indica aumento da segurança na USP, mas números são contestáveis

Os números decrescentes podem significar diminuição do uso e de registro das ocorrências

Por Christian Villaverde

Aplicativo Campus USP possui pouco mais de 10 mil downloads. Crédito: Reprodução Google Play Store

 

Segurança compartilhada: este é o conceito por trás do aplicativo Campus USP, com o intuito de que a segurança pública da Universidade não seja só responsabilidade da Guarda Universitária, mas um assunto no que todos possam colaborar, alunos, professores e funcionários incluídos. O app, criado por uma equipe de técnicos do campus de Pirassununga e lançado no ano 2016, permite aos usuários registrar ocorrências que acontecem no interior do Campus tais como furtos, roubos, atividades suspeitas ou violência contra as mulheres entre outras, que são encaminhadas na hora para a Guarda Universitária. 

Esta ferramenta é importante não só para facilitar o trabalho das forças de segurança, mas também como uma fonte de informação para o resto dos membros da comunidade universitária, graças ao chamado “mapa de segurança”, outra das funções do aplicativo. 

Nele se mostram as ocorrências registradas pelos usuários com localização e hora em que foram realizadas, dando uma imagem visual dos lugares do campus que possam ser mais perigosos, assim como o período do dia em que os crimes são mais frequentes.

Com um sistema baseado no conceito de segurança compartilhada, o nível de uso do aplicativo é fundamental, pois quanto maior seja o número de usuários registrando ocorrências, mais completo será o mapeamento das mesmas e maior efetividade terão as forças de segurança. 

Numa cidade universitária com perto de 100.000 membros, as pouco mais de 10.000 downloads que o aplicativo atingiu desde o seu lançamento parece uma cifra distante do desejável, especialmente quando muitas delas pertencem a alunos que não fazem mais parte da instituição ou que o desinstalaram do celular. 

Talvez por isso o número de ocorrências registradas vem experimentando uma tendência decrescente cada vez maior nos últimos anos, algo que pode ter a ver com uma diminuição da criminalidade, mas também com um menor uso do aplicativo. 

A redação do Jornal do Campus tentou se comunicar com a Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária, mas não obteve resposta antes do fechamento desta edição.

Gráfico: Isabella Velleda

Mais do 40% dos alunos desconhece aplicativo

Para aferir o grau de uso do aplicativo entre os alunos da USP, o JC realizou uma pesquisa com 100 alunos da Universidade. Para a surpresa da Redação, quase a metade (41,5%) nem sequer tinha noção da existência do programa. “Sério que existe algo assim? Nossa, que legal” ou “Acabo de saber dele por você” foram algumas das frases ouvidas durante a abordagem. 

Outro aspecto importante é que boa parte dos alunos que afirmava conhecer o aplicativo não tinha uma ideia aprofundada sobre a sua importância e utilidade. 

Essa falta de informação sobre o Campus USP, mesmo para fazer as coisas mais básicas, também tem como consequência que muitos alunos terminem por desinstalá-lo do celular por não falta de noção de como utilizá-lo ou por considerá-lo pouco útil no dia a dia. “Eu o tinha instalado, mas não consegui me cadastrar e terminei por desistir”, comentou um entrevistado. 

Muitos alunos também declararam que, por falta espaço de armazenamento, o Campus USP foi uma das primeiras escolhas para liberar memória dos celulares, precisamente por não acharem o aplicativo importante o suficiente.

Quando foram perguntados como conheceram o aplicativo, a maioria declarou que foi a través de alunos veteranos, amigos ou simples acaso navegando nas lojas de aplicativos, mas quase ninguém afirmava ter se informado da sua existência através de campanhas de divulgação ou qualquer outro tipo de comunicação institucional ligada a própria USP — algo que talvez pudesse ajudar a melhorar o grau de conhecimento do software entre a comunidade universitária.